Projeto Coração Valente

Do céu ao inferno em três meses

*Não deixe de ler a observação no final desse texto.

Fomos do céu ao inferno, em apenas três meses. Em 21 de junho deste ano, ouvimos (o Thomas, a Dedé e eu) o Dr. José Pedro dizer, depois de olhar os exames e ele, que o operaria, uma cirurgia relativamente fácil, e que o Thomas melhoraria muito. Disse mais, não seria necessário fazer cateterismo porque ele poderia medir a pressão das artérias no centro cirúrgico.

Saímos do consultório muito felizes, sobretudo o Thomas. Dali em diante a dedicação foi total, para preparar tudo, fazer os exames solicitados, conseguir a liberação da Unimed, etc., fora os custos que nessa hora a gente não mede.

A internação na Beneficência Portuguesa deu-se no dia 17 de setembro. Poderia ser antes, mas aconteceu de acordo com a agenda do Dr. J. Pedro, segundo o assistente administrativo dele.
Quando se viu no quarto do hospital, instalado e as coisas começando, o Thomas mostrou uma felicidade que não víamos nele há anos.

Então a equipe clínica do Dr. J. Pedro, liderada pela Cardio-pediatra Sônia Meiken Franchi começou a trabalhar. Não comunicaram a internação do Thomas ao Dr. J. Pedro, sem que soubéssemos. Fizeram-nos pensar que o Dr. J. Pedro estava inteirado e direcionando as decisões. Desprezaram e tampouco localizaram os exames solicitados pelo cirurgião e fizeram seus próprios exames, entre os quais um Ecocardiograma, coordenado pelo Dr. Fabrício. Ministraram medicamentos com os quais lograram desestabilizar o Thomas, levando as plaquetas p. e. para 44 mil. Até um medicamento que deveria ser diluído, fizeram-no beber em forma pastosa, ocasionando ânsias e diarreia.

Então, no terceiro dia, hora do almoço a Dra. Sônia apareceu no quarto dele, pela primeira vez, desde a internação, acompanhada de outros membros de sua equipe e, de uma forma agressiva e pouco ética, em torno da cama onde o Thomas estava deitado, informou que ele não tinha a menor chance de ser operado, segundo o ecocardiograma que fizeram, encontraram outra cardiopatia (uma única via de saída do VD ao invés da velha e boa dupla via de saída que ele tinha desde sua concepção) com as plaquetas daquele jeito e mais uma ou duas justificativas discutíveis e forçadas, destruindo todas as esperanças dele, em dois minutos.

Mais uma vez entendi o que Jesus disse no Sermão da Montanha. Bem aventurados os que sofrem e os que choram. Ali, naquele quarto houve sofrimento e choro pela perda de uma oportunidade, graças à mediocridade de gente sem compromisso e insensível. Quanto a competência, caberia a todos os profissionais que eles contrariaram com um único ECG, gente da UNIFESP, Dante, do Incor, do Hcor e da Unimed, solicitar explicações, a meu ver. Particularmente os cirurgiões que viram o coração do Thomas durante as cirurgias, implantaram Glenn, etc., e não perceberam que ele só tinha uma via de saída no VD, ou o eco do Dr. Fabrício é que não foi lá essas coisas. Claro que para eles, o dele é que estava certo.

Se algo acontecer a meu filho, daqui em diante, vou responsabilizá-los sem sombra de dúvidas. O Thomas é adulto, tem 24 anos e não quer mais ouvir falar em cirurgias, cateterismos, Ecocardiogramas, etc. Eles conseguiram um descarte que nem o pessoal do INCOR havia logrado, porque dessa, liquidaram com as esperanças de melhoras do Thomas. Nem eu posso alterar isso. Talvez Deus o faça, mas Ele anda meio omisso, ultimamente, se não me engano. Nenhum de nós e muito menos esses profissionais de saúde citados tem a menor ideia da agressão que cometeram contra um ser humano, cuja maior parte da sua história, é de dor e sofrimento.

Escrevo isso para que todos vocês abram seus olhos. Amanhã, seus filhos serão promovidos a cardiopatas congênitos adultos. Muitas dessas cirurgias tem prazo de validade, geralmente com previsão máxima de dez anos, se tanto. Mas eles não lhes informam esses detalhes. Há muitos interesses comerciais em jogo, e seus filhos podem estar sendo usados como mercadoria aqui ou ali. Não estou dizendo que foi isso que ocorreu com o Thomas, mas não descarto a possibilidade. Os hospitais, planos de saúde e até o SUS são concorrentes e os pacientes vitimas dessa insanidade.

Nunca esqueçam do país em que vivemos.

Voltamos ao inferno, portanto.

Lou Mello

*ATENÇÂO:

No mesmo dia, o Dr. José Pedro da Silva foi pessoalmente ao quarto do Thomas. Ali mesmo, demonstrando constragimento pelo que ocorrera, organizou novo plano de tratamento que, dessa vez, incluirá um cateterismo a ser realizado no próprio hospital Beneficência Portuguesa e no qual ele prentende participar. Dependendo do resultado desse procedimento, mais os outros exames e tratamentos solicitados, poderá seguir-se a cirurgia, ainda não definida quanto ao método, também.

Fica registrado o nosso agradecimento ao Dr. José Pedro da Silva por essa iniciativa e pela disposição em favor da causa toda.

Lou Mello

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