Projeto Coração Valente

Solidariedade generosa

 

Posso estar redondamente enganado, mas tenho sentido desconforto considerável em relação à nossa capacidade de solidariedade. Se não ardesse na minha pele, acho muito provável que não estaria escrevendo essas palavras agora. Não é fácil falar, digo, digitar sobre esse tema, pois sempre há um grupo, ainda que bem pequeno, de gente tola que continua sendo generosa indefinidamente. Imagino que eles saibam o quanto sou grato a eles e como desejo, do mais profundo do meu coração, que Deus lhes seja abundante em tudo. Creio que a generosidade seja o pré-requisito indispensável à solidariedade.

Lembro de um personagem Mark Greene do dinossáurico seriado de TV ER quando, à beira da morte, ele chama a filha e lhe entrega o legado fundamental à vida dizendo algo mais ou menos assim: “O mais importante na vida é a generosidade, então seja generosa com todos sempre”. Não sei se tenho sido suficiente generoso, em minha vida. Em minha autocrítica há a observação perfeccionista que diz: “você tem sido, mas poderia ser muito mais”.  Tentarei melhorar, prometo.

No início dos anos oitenta me deram a tarefa de coordenar a captação de recursos na Missão Portas Abertas junto à base brasileira. Lembro que cheguei a me espantar com a solidariedade generosa do povo, sobretudo os cristãos evangélicos, em favor daqueles que viviam em países onde não havia liberdade religiosa e sofriam, até na própria carne, para praticar suas crenças e religiões.

Hoje, vivemos momentos incríveis em que a generosidade solidária se esvai a cada dia. A começar do preconceito antirreligioso que conseguiram criar. Imagino que a Missão citada acima esteja tendo grande trabalho com seu programa de captação de recursos, bem como todas as organizações que carecem de doações para tocar seus projetos.

Meu negócio aqui é mais pessoal, certamente. Estou em um processo já deflagrado que envolve o tratamento do meu filho e inclui mais uma cirurgia de tórax, a terceira em seus quase 25 anos de vida, a maior parte vivendo como se fosse o garoto da bolha, dentro de nossa casa. Como é de conhecimento geral, minha renda se origina, ou pelo menos deveria, do meu trabalho de consultoria para organizações em fins lucrativos. Praticamente, não tenho tido clientes nos últimos anos e as palestras que ajudavam muito, tornaram-se escassas devido a dois fenômenos: Primeiro pelo aumento exponencial de candidatos a palestrar nessa área. Depois, devido à redução inexplicável da demanda. Então sobraram os bicos (conserto de computadores, palpites aqui e ali, etc.) e o aumento inacreditável das contas a pagar, atuais e passadas. Ainda não estou dentro dos requisitos para uma aposentadoria e nem sei se um dia estarei, embora tenha trabalhado bem mais de quarenta anos de minha vida.

Confesso que uma voz acusadora me acusa, dia e noite, que o culpado sou eu. Dou certa razão a ela. Identifico oportunidades, perdidas, escolhas equivocadas, avaliações precipitadas, injustiças praticadas, empenho deficiente, etc., ao longo da minha trilha.

O problema é que a vida continua companheiro. Não tenho a dose certa de heroísmo necessária para cometer atos tresloucados que outros, em meu lugar, são capazes. Também não sou muito bom em desonestidades e corrupções. Então, tenho passado por cima do meu orgulho e aceitado que parentes e amigos me ajudem, principalmente nas exigências relativas ao meu filho. Mas isso não é, e se depender de mim, não continuará sendo meu meio de vida. Só que as coisas estão acontecendo já, nesse momento, nessa semana e temo que elas não esperarão minhas possibilidades e sonhos se implementarem.

Então, clamo a Deus por um ou quantos milagres forem necessários. Antes de mais nada, pelo sucesso dessa cirurgia do meu filho, recuperação e tudo que a envolve e, também, pelo suprimento do que for estritamente necessário. A partir de amanhã jejuarei enquanto o processo durar e até fiz promessa (não nos moldes dar e ser-vos-á dado, mas por gratidão mesmo) de dar os anos que me restam ao ministério da Palavra e em favor dos cardiopatas congênitos, prioritariamente, onde há muito a fazer.

Embora, uma boa e excelente generosidade solidária seja bem vinda, não posso me dar ao luxo de contar com ela. Não seria justo e/ou ético. Por isso, só posso contar com Deus, nas suas três formas (Pai, Filho e Espírito Santo), pois ele se dispôs assim, em suas próprias palavras. Caso aconteçam atos de generosidade solidária por parte das pessoas (já houve um ou outro, até o presente momento), serão recebidos com humildade e gratidão, sem dúvida.

No mais, orem por meu filho, por minha esposa, por mim e por toda a nossa família, nos próximos dias, talvez semanas. Creio na sensibilidade divina em relação às nossas orações, principalmente quando elas se dão de forma irmanada.

Um beijão em vossas carecas e perucas

 

Lou Mello

 

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=v3ErmPtp19s]

 

CV_LOGOANI

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *