Trabalho em Equipe

Apoio total


 

Quando me proponho a “ajudar” alguém, a primeira atitude é perguntar: “o que a pessoa precisa?” Em outras palavras, quais são as reais necessidades dela?
Um cardiopata congênito, com cardiopatia complexa para complicar ainda mais, tem muitas necessidades excepcionais, seguramente.

Se considerarmos (e isso é imprescindível) o fato da maioria das pessoas afetadas com esse problema serem crianças, recém nascidas e totalmente dependentes de seus pais e/ou familiares, será necessário aumentar a amplitude da pergunta, incluindo os responsáveis nela.

Ao longo de suas vidas e tratamento surgirá uma grande variedade de situações, todas carecendo de decisões, para as quais os pais e/ou familiares dificilmente estarão preparados para tomar.

Preocupado com essa conjuntura, resolvi mudar um pouco os rumos do Projeto Coração Valente e repensar como poderíamos desenvolver nosso trabalho de apoio aos cardiopatas congênitos e seus parentes de modo a suprir essas necessidades.

Para isso serei obrigado a ceder em um quesito ao qual vinha resistindo desde o começo e registrar uma ONG a fim de podermos fazer um trabalho mais profissional, com mais agressividade na captação de recursos a fim de obter os valores necessários para fazer o trabalho que temos em mente.

Obviamente, nossa experiência com o Thomas será fundamental e queremos compartilha-la com a comunidade formada pelos cardiopatas congênitos.

Esse trabalho deverá ser realizado sem abandonarmos nossa proposta de apoio espiritual, muito pelo contrário.

Vamos precisar de dinheiro e outros itens fundamentais e, antes de mais nada, falaremos como o Senhor e pai do universo, incluindo nossos filhos cardiopatas congênitos. Ele há de tocar os corações das pessoas prontas para nos apoiar, seguramente.

Abração a todos

Lou Mello

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About the author

Lou Mello

Fui pai de um cardiopata congênito por 25 anos. Meu filho mais novo, o Thomas Henrique nasceu em 11 de maio de 1988 com dupla via de saída no ventrículo direito, transposição dos grandes vasos na base, estenose da pulmonar com válvula atrésica, CIVs múltiplas e PCA aberto. Passou por três cirurgias, vários cateterismos, um monte de exames e tomou medicamentos a beça. Na primeira cirurgia construiram um Blalock, na segunda uma Emy Fontan cavo pulmonar e na última fizeram a correção total, com implante de uma válvula pulmonar humana dissecada. Após a cirurgia ficou internado na UTI por dez dias, quando faleceu, no dia 20 de abril de 2014, a 21 dias de completar 25 anos. Claro que o considero meu filho para sempre, onde quer que ele esteja, agora. Nosso trabalho com ele terminou, mas ele nos deixou a missão de apoiar os cardiopatas congênitos enquanto vivermos. Esse é o meu propósito principal de vida, enquanto viver.

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