cirurgias

Conheça a história da adolescente que vive com dois corações

Victória Emanuelle, de 14 anos, que nasceu com a anomalia de Ebstein, um raro problema cardíaco, e foi operada pela Beneficência Portuguesa de São Paulo

Atualmente com 14 anos de idade, Victória Emanuelle, de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, nasceu com um problema cardíaco congênito raro, conhecido como anomalia de Ebstein. Apesar de ter sido detectado quando tinha apenas 5 meses, ela só foi operada após os 12 anos, idade máxima recomendada para a operação, nesses casos. “Depois dessa idade, meu problema começou a se agravar e eu me cansava muito com pequenas coisas, não conseguia pentear o cabelo nem tomar banho. Tinha falta de ar e sentia muito cansaço”, conta Victória.

No ano passado, Victória acabou sendo indicada por uma médica da sua cidade natal para um cirurgião da Beneficência Portuguesa de São Paulo, onde ficou internada por quatro meses e finalmente foi operada no dia 24 de setembro.

Ao dar entrada no centro cirúrgico, a operação foi bem-sucedida, mas devido ao desgaste acumulado ao longo do tempo, seu coração entrou em falência.

Após a operação, a adolescente vive agora com dois corações, e aguarda que o antigo órgão se recupere para que o novo, transplantado, possa ser retirado

“Os médicos disseram que eu não conseguiria viver com ele, mas houve uma recuperação de aproximadamente 20%, e não quiseram desprezá-lo. Usaram uma técnica onde um novo órgão é colocado ao lado do antigo para ajudar”, conta. O resultado disso é que a adolescente acabou ficando com dois corações.

Os médicos esperam agora que o antigo coração se recupere completamente para que o órgão transplantado possa ser eventualmente retirado e ela fique apenas com o antigo. “Após ficar um mês na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), fiquei três meses no quarto. Nesse período, como sou jovem, o processo de recuperação, tanto cardíaca quanto motora, foi muito rápido”, explica ela, que diz também que o restabelecimento completo ocorreu de janeiro deste ano para cá.

A mãe de Victória, Tatiana Fernanda Silva, esteve presente ao lado da filha o tempo todo, exceto na fase de internação na UTI, quando isto não era permitido. Porém, os médicos logo concluíram que a presença da mãe seria boa para a recuperação da paciente e concederam tempo para ficar com ela ainda durante o período na UTI.

Tatiana enxerga o médico responsável pela cirurgia, Dr. José Pedro da Silva, como um “herói”. “Antes da primeira consulta já havíamos pesquisado sobre ele, que é considerado uma referência na área de cardiopatia congênita. A técnica realizada em crianças com a Anomalia de Ebstein foi criada por ele”, explica. “Nós éramos totalmente leigos e, não sabíamos da gravidade do problema, mas mesmo assim ele aceitou pegar o caso dela”.

Victória ao lado da irmã e dos pais; sua mãe, Tatiana, acompanhou todo o processo de internação e afirma que o tratamento dado pelo hospital foi o melhor possível

Tatiana considera que o atendimento realizado pelo hospital foi o melhor possível. “Eles lutaram pela vida da minha filha desde o início. Nós praticamente moramos lá dentro por quatro meses, então o lugar se transformou na nossa segunda casa”, diz.

O caso de Victória é um entre muitos outros que envolvem patologias cardíacas complexas que diariamente encontram solução no Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo. Tradicionalmente reconhecida por seu trabalho nessa área, a instituição presta assistência a todos os segmentos da sociedade com competência técnica e muita atenção e dedicação. “Pode até parecer engraçado, mas eu tenho saudade. Todos foram muito carinhosos, são como pessoas da nossa família”, diz a adolescente, que graças à BP-SP agora finalmente pode levar uma vida normal.

Fonte: UOL Notícias 26 de fevereiro de 2016

CV_LOGOANI

About the author

Lou Mello

Fui pai de um cardiopata congênito por 25 anos. Meu filho mais novo, o Thomas Henrique nasceu em 11 de maio de 1988 com dupla via de saída no ventrículo direito, transposição dos grandes vasos na base, estenose da pulmonar com válvula atrésica, CIVs múltiplas e PCA aberto. Passou por três cirurgias, vários cateterismos, um monte de exames e tomou medicamentos a beça. Na primeira cirurgia construiram um Blalock, na segunda uma Emy Fontan cavo pulmonar e na última fizeram a correção total, com implante de uma válvula pulmonar humana dissecada. Após a cirurgia ficou internado na UTI por dez dias, quando faleceu, no dia 20 de abril de 2014, a 21 dias de completar 25 anos. Claro que o considero meu filho para sempre, onde quer que ele esteja, agora. Nosso trabalho com ele terminou, mas ele nos deixou a missão de apoiar os cardiopatas congênitos enquanto vivermos. Esse é o meu propósito principal de vida, enquanto viver.

Leave a Comment