Projeto Coração Valente

Dia da Conscientização da Cardiopatia Congênita

Dia da Conscientização da C. Congênita

 

O dia da Conscientização das Cardiopatias Congênitas (12 de junho) por sinal, o mesmo dia atribuído aos namorados (o que vem a ser uma certa desvantagem logo de saída), vale como um símbolo.

Nesse dia, ONGs, GOGs e MAGOGs, aproveitam para fazer eventos, divulgar a causa e, sobretudo, mobilizar (até outro dia era captar) mais uma graninha, pois não se faz filantropia sem o vil metal, papel, cartão, werevis. Muito menos, quando a causa refere-se aos cardiopatas congênitos.

Na real, todo dia é dia de conscientizar o povo a respeito das cardiopatias congênitas (pois são várias) e todo mundo que trabalha com esses pequenos equívocos divinos sabe disso.

Entretanto, essa causa ainda é muito pouco difundida e quando o médico fala pra mamãe (as vezes até o pai está presente) que o bebe vai nascer com uma baita cardiopatia, que precisará de cirurgia, cateterismos e mais uma pancada de exames, procedimentos, etc., fora o risco altíssimo, o susto é tremendo, muitas vezes, com direito a internar a mãe em estado de choque.

Mas as autoridades não estão nem aí para essa modalidade de desgraça. Apesar das cardiopatias congênitas liderarem com folga as estatísticas de  mortalidade infantil, na maioria dos municípios brasileiros, eles se fazem de mortos. Inventar mais um projeto de saúde, e um desses que custa caro pra caramba, acabaria por jogar a meta fiscal na lama do volume morto, seja para o presidente (a), governadores ou prefeitos.

A Maioria dos cardiopatas congênitos são tratados pelos serviços de saúde do governo. Portanto, o que os espera é algo próximo ao inferno, aqui mesmo nesse nosso plano de vida. Não é fácil arrumar plano de saúde para um cardiopata congênito. Felizes aqueles que lograrem um deles para serem tratados. Preparem-se, caso esse seja o seu problema ou de seus pais. Você, se for um cardiopata congênito e seus pais por serem co-cardiopatas congênitos.

Outro probleminha é que cirurgiões adoram fazer essas cirurgias, em regime particular, obviamente. Aí a grana é alta. Os mais dedicados, operam em hospitais do governo ou sob o regime SUS. Mas não conheço nenhum que só opere pelo SUS. Afinal, eles são filhos de Deus, também.

Então vocês estarão à mercê da disponibilidade desses doutores, que está bem longe do ideal. Para realizar essas cirurgias o cara tem que ralar muito, estudar fora do país e investir muita grana. Com isso, há poucos, muito poucos cirurgiões em relação à demanda disponíveis.

Mas isso não é nada, falta tudo, a começar por leitos em UTIs, pediátricas ou para adultos, aos montes. Se tem um lugar que cardiopatas congênitos costumam frequentar, sem dúvida, são as UTIs, isso quando conseguem uma vaga. Sem falar nas infecções hospitalares que elas e os centros cirúrgicos costumam disseminar.

Até hoje, se não me engano, só existe um hospital dedicado aos cardiopatas congênitos e nem está pronto. Trata-se de um projeto tocado por uma cardiologista dedicada à causa lá no Rio de Janeiro. Ela não tem boas lembranças de políticos, acho. O governo, que se saiba, nunca pensou nessa hipótese tresloucada.

Aqui, no Projeto Coração Valente, raramente fazemos campanhas mobilizadoras de money (dim dim). Também, quando fazemos, precisamos fazer novena para não desmoronarmos com a frustração diante das contribuições recebidas, geralmente poucas, muito poucas. Claro que louvamos a Deus pelos dois o três contribuintes, sempre.

Uma coisa é certa, o terreno a ser pisado por cardiopatas congênitos e familiares está completamente minado. Os eleitos a caminharem por ele, segundo as doutrinas pagãs, devem ter feito muito mal a seus companheiros de outra vida, para merecer tamanha desgraça.

Estou certo de que a minoria contemplada com sucesso completo em seus tratamentos, e isso inclui levar uma vida plena e dentro da média de vida dos demais cidadãos brasileiros, não concordará comigo agora. Mas aviso, percorri todos esses meandros até perder meu filho.

Espero que você esteja mais consciente desse probleminha agora!

Do Pai de um cardiopata congênito

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