Confissões de Mãe Notícias

Falar é fácil…

Written by Lou Mello

Pra você que fala, como você seria se fosse a mãe da Giovanna e do Pedro:
Falar é fácil…

Mais fácil é você sair de uma cesárea com médicos correndo com seu filho, um filho diagnosticado com 6 defeitos no coração, médico mês a mês, paradas cardíacas, cirurgia, ataques na UTI, médicos falando em “sobrevida” e te impondo coisas e coisas.

Falar é muito fácil. Quero ver você pegar um bebê doente, e transformar ele numa criança saudável. Quero ver você ter no seu celular, um calendário de médicos, mês a mês. 3 consultas num dia. Exames invasivos. Cateter, acessos venosos. Internações. Meia noite na emergência . Corre pra lá, corre pra cá.

Você só vê o resultado da minha luta. Estão lindos né? Pois é. Eu nem sei quantas vezes nós fomos juntos aos médicos. Sim. Sempre fui eu que os levei. Em todas as suas consultas. Em todos os seus exames. Em todas as suas internações. Nas suas cirurgias. Nas suas viagens. Nas suas alegrias. Eu caminho ao lado deles na dor e na alegria. Na doença e na saúde.

Falar é muito fácil… Fale sim, de algo que você nem imagina como foi ou como seja. Falar é fácil. Enquanto você fala, eu continuo procurando uma forma, de que meus filhos vivam um ano a mais do que a estatística. Não tem como imaginar, como a vida é dura e doce ao mesmo tempo.

Agradeça a Deus sempre. Assim como eu agradeço, por esta vida, pela vida da Giovanna e do Pedro . Que sim, me tornaram alguém muito melhor…

#prontofalei #desabafo

Cristiane Ponchio Bassan

Cristiane é mãe de Giovana e do Pedro. Eles mais o papai e a família moram em São José do Rio Preto – SP. Os dois filhos são portadores de cardiopatias congênitas. O Pedro tem sete meses e foi submetido a uma cirurgia recentemente. Ainda se recupera na UTI, mas está bem e deve sair em breve e voltar para casa. Conheça-os lá no Facebook, eles são incrível exemplo para todos nós.

About the author

Lou Mello

Fui pai de um cardiopata congênito por 25 anos. Meu filho mais novo, o Thomas Henrique nasceu em 11 de maio de 1988 com dupla via de saída no ventrículo direito, transposição dos grandes vasos na base, estenose da pulmonar com válvula atrésica, CIVs múltiplas e PCA aberto. Passou por três cirurgias, vários cateterismos, um monte de exames e tomou medicamentos a beça. Na primeira cirurgia construiram um Blalock, na segunda uma Emy Fontan cavo pulmonar e na última fizeram a correção total, com implante de uma válvula pulmonar humana dissecada. Após a cirurgia ficou internado na UTI por dez dias, quando faleceu, no dia 20 de abril de 2014, a 21 dias de completar 25 anos. Claro que o considero meu filho para sempre, onde quer que ele esteja, agora. Nosso trabalho com ele terminou, mas ele nos deixou a missão de apoiar os cardiopatas congênitos enquanto vivermos. Esse é o meu propósito principal de vida, enquanto viver.

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