Trabalho em Equipe

Vamos construir um banco?

Written by Lou Mello

Faz algum tempo que não atualizo nosso blog. Há algum tempo venho pensando na relevância do nosso Projeto Coração Valente.

Comecei o PCV quando o Thomas ainda estava entre nós. Ele teve uma vida de 25 anos, três cirurgias, muitos cateterismos, milhares de exames, consultas e medicações. De certa forma, estávamos no jogo, o mesmo dos outros cardiopatas congênitos e isso facilitava nosso envolvimento com a comunidade dos cardiopatas congênitos, pais, parentes e amigos deles.

Depois da partida do Thomas, aos poucos foi ficando cada vez menos relevante para mim, fazer parte. Ninguém reclamou, mas senti as pessoas se afastando. Não sei se notaram uma postura diferente em mim ou, de certa forma, o fato de ter perdido meu filho. Talvez isso tenha sido desanimador para quem está lutando, ainda com muita esperança e eu posso entender isso.

Achava aqui comigo, que se não tinha mais o Thomas conosco, recebemos um treinamento riquíssimo para o enfrentamento desse tipo específico de situação. Obviamente, estamos aptos a ajudar e contribuir em favor dos que estão aí firmes.

Comecei a pensar sobre a necessidade de encontrarmos algo relevante, tanto para as pessoas como para todos nós. Comecei a fazer um curso em uma universidade norte-americana, cujo título é Fé & Finanças. Não sei quantos aqui sabem, mas ou especialista em captar recursos para projetos sem fins-lucrativos junto a pessoas entidades cristãs. Acredito que pessoas são os nossos melhores recursos e elas podem fazer muitas coisas em nossas causas.

Então tive uma ideia, sugerida lá no meu curso. Eles já têm muitos outros meios de ajudar as pessoas em suas necessidades. Por exemplo, eles estão falando em “empréstimos predatórios” (aqueles oferecidos pelo mercado financeiros) e várias igrejas já estão engajadas em financiar dinheiro saudável para realmente saldar as dívidas das pessoas endividadas.

A minha ideia é transformarmos esse espaço em um banco onde se cadastrarão dois tipos de pessoas. Primeiro as pessoas envolvidas no tratamento de cardiopatas congênitos e também pessoas dispostas a ajudar. Por exemplo, uma pessoa representa um cardiopata congênito, como eu fazia quando tratávamos o Thomas, precisa levar seu valente a uma consulta médica particular. Então essa pessoa cadastra essa necessidade aqui. Então enviamos a todas as pessoas essa necessidade, via E-mail e a primeira a se dispor receberá a incumbência de fazer o pagamento da consulta, diretamente ao consultório do médico, em nome do paciente, via cartão de crédito ou débito.

Esse caso é só um exemplo para começarmos a planejar nosso banco. Todos vocês, tanto como eu, sabemos o tanto de possibilidades existentes na vida de um cardiopata congênito, desde uma simples consulta até uma complexa cirurgia nos Estados Unidos, passando por exames mais simples e outros muito complicados. Enfim, há muitos itens a serem resolvidos, tais como o transporte de um valente para um centro onde há o tipo de tratamento necessário.

Quando o valor for alto, cada um poderá informar quanto poderá dispor e nós iremos informando todos os dispostos a contribuir naquele caso. Quando tivermos todo o valor necessário, então cada um enviará sua parte prometida ao local onde o procedimento acontecerá. Evidentemente, o PCV cuidará para dar a máxima segurança para doadores e receptores.

Não haverá nenhum acréscimo e trataremos de conseguir descontos em todos os casos, desde que não haja nenhum prejuízo, por tanto. O Projeto Coração Valente não fara nenhum desconto nas doações. Minha pretensão será conseguir pessoas capazes de nos ajudar trabalhando voluntariamente, em suas casas e com seus computadores e internet. O PCV dará as informações necessárias.

Todos os envolvidos ficarão em nossos cadastros enquanto desejarem. Bastará nome e E-mail, talvez alguma mídia social que desejarem informar, para nós. Trabalharemos o nosso Banco via mídias sociais. Estou pensando em chama-lo de Banco do Coração Valente.

Claro que faremos propaganda e para isso também precisaremos contar com a doação de empresas de publicidade.

Enfim, são minhas ideias iniciais e quero ouvir e ler o que vocês pensam sobre essa ideia principal do banco e o resto do pacote, além de suas boas ideias, também.

Aqueles que oram habitualmente, por favor ore por essa ideia. Muito obrigado.

Que tal?

Um abração a todos.

Lou Mello

About the author

Lou Mello

Fui pai de um cardiopata congênito por 25 anos. Meu filho mais novo, o Thomas Henrique nasceu em 11 de maio de 1988 com dupla via de saída no ventrículo direito, transposição dos grandes vasos na base, estenose da pulmonar com válvula atrésica, CIVs múltiplas e PCA aberto. Passou por três cirurgias, vários cateterismos, um monte de exames e tomou medicamentos a beça. Na primeira cirurgia construiram um Blalock, na segunda uma Emy Fontan cavo pulmonar e na última fizeram a correção total, com implante de uma válvula pulmonar humana dissecada. Após a cirurgia ficou internado na UTI por dez dias, quando faleceu, no dia 20 de abril de 2014, a 21 dias de completar 25 anos. Claro que o considero meu filho para sempre, onde quer que ele esteja, agora. Nosso trabalho com ele terminou, mas ele nos deixou a missão de apoiar os cardiopatas congênitos enquanto vivermos. Esse é o meu propósito principal de vida, enquanto viver.

Leave a Comment